Normalmente diferente.


“O que se faz num dia atípico? Sem muito significado, quase nada sobre leitura mental, odeia café, não fuma. A música parece incompleta, falta tempo ou falta nota. Não quis nem assistir o jogo, que até passou bem devagar, quase não olhou o gol. Passou o dia com frio numa cidade quente, temperatura normal. No fim da tarde choveu bem forte, aquele pingo doloroso pra quem está andando a pé. A visão da janela é limitada, mais uma parede, outra casa. Os tijolos novos quebrados e o azulejo rachado, está tudo ligado, a voz distorcida do locutor da rádio. A tv ficou também, está piscando em tela azul na penumbra do quarto. Trânsito lento em direção ao centro, e um engarrafamento saindo do terminal. Ninguém ousa se mexer nem em seu próprio metro quadrado, não é assim que se conta a população? Sempre imagino um cercado para cada cidadão.
Já é negro o fim da noite, nem percebe que é tão tarde. O sono não veio como costumava vir, e aquela impressão de ter ouvido tanta gente o dia inteiro, mas nada… nada assimilou.”

Notes